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  • Está vendo coisas? Que bom!

    Está vendo coisas? Que bom!

    Anônimos são convidados a imaginar a partir de fotos da natureza

    Por Naná Prado

    Construir ou conhecer na imaginação, fantasiar, inventar. Todos nós temos a capacidade de criar, de imaginar. Basta concentração e logo é possível combinar idéias e formar figuras no imaginário. A natureza é palco de imagens interessantes que estimulam a imaginação até daqueles que acreditam não ter criatividade. Basta um olhar atento e logo vemos rostos, corpos, formas e figuras nas montanhas, no céu, na água, nas pedras. 'Essa imagem parece de rostos, de caveiras saindo da água e indo ao céu, se olhar bem nas pedras lembra muito umas caveiras', comenta um observador.

    'O fascinante é pensar que essas associações são, na verdade, criações da nossa mente. Sempre procuramos em nossa memória imagens conhecidas e podemos encontra-las na natureza', afirma o fotógrafo e constante observador Palê Zuppani. Para uma mesma cena, várias percepções. Para um, 'essa cena transmite um pouco de medo. Parece um dragão ou um monstro muito estranho. É uma coisa meio inferno de Dante: a natureza é quem esconde os demônios do inferno'. E, tem aqueles que vêem na mesma imagem 'algum pequeno animal, talvez um filhote de tamanduá', ou mesmo 'um golfinho em velocidade, com a boca aberta e muita água espalhando'.

    Será que são arquiteturas da natureza? Algumas formas são tão perfeitas que não trazem dúvidas aos observadores. Outras, não querem dizer nada para alguns, mas há aqueles que juram de pés juntos que estão vendo alguma coisa. 'Sem dúvida alguma, é um porquinho correndo de boca aberta'.


    Ecocenários

    Nossa mente é capaz de criar um sem número de imagens, cenas e figuras. Basta dar asas à imaginação e viajar: 'vejo um bicho muito feio! Daqueles que irão sobreviver a uma guerra nuclear, junto com as baratas', 'uma cenoura um pouco desidratada' ou ainda 'um casulo de borboleta alternativo'. Quem nunca passou horas olhando para o céu e imaginando coisas. Há até aqueles mais criativos que conseguem contar histórias: 'o que uma pedra disse para a outra? - Muito parado por aí?''. E as crianças podem ter a imaginação e a criatividade estimuladas com esse tipo de brincadeira.

    Com isso, percebemos que a 'cultura popular' tem uma maneira própria de se externar. Basta sensibilidade. A cada época, em cada lugar, cada grupo vai manifestando de maneira genuína o fundo que o sustenta e o imaginário que o compõe. Há várias maneiras de expressar sensibilidades. Através da literatura, da linguagem cênica, musical, de artefatos manufaturados, enfim, todas são formas de expressão que nos contam o imaginário popular. E a observação de cenas também entra nesse hall de expressões sensíveis. Algumas pessoas, na arte de imaginar, transferem para a arte o que vêem na natureza. 'Essa cena parece muito com um quadro surrealista. É ou não um Dali? A paisagem infinita sem formas humanas, com umas circulações que parecem pintadas à mão com extrema precisão técnica. Perfeito e intrigante', afirma admirada uma observadora.

    Neste sentido, a cada época a sociedade cria tesouros de inestimável valor, uma vez que cada período possui de maneira particular sua própria história, seu próprio código simbólico que registra de forma única exatamente o momento vivo em que acontece.

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