Por Naná Prado
Assim como nas 'viagens' de Lucas Silva e Silva, no programa Mundo da Lua da TV Cultura, você acaba de embarcar em um passeio pela Terra a bordo da 'Espaçonave Abaquar', que em Tupi-Guarani quer dizer 'homem que voa'. Para essa viagem será necessário um pouco de consciência e lucidez, veremos imagens impressionantes.
Aqui na espaçonave você precisa deixar de lado alguns pré-conceitos para poder perceber, por exemplo, que os recursos naturais não são tão disponíveis como imaginávamos. Podemos ter a clara noção de que a degradação e os desequilíbrios ecológicos têm efeitos nocivos a outras dimensões humanas, como a social, a econômica e a cultural. Aos poucos entenderemos os sentimentos e pensamentos que motivam os seres humanos a terem determinadas atitudes. Algumas dessas ações ficarão sem a nossa compreensão, mas servirão para pensarmos em propostas de mudança e em formas de agir conscientemente. Poderemos pensar um pouco sobre nossas ações individuais e coletivas e sobre as desigualdades existentes.
Daqui de cima, é possível notar que um ato individual tem um enorme poder transformador: o consumo de determinados produtos, por exemplo, pode criar situações sem volta para a natureza.
Veja lá embaixo, o homem tem o poder de destruir. Há anos vêm construindo histórias e edificações e destruindo muito do que a natureza nos deu. Perceber que podemos acabar com tudo não é fácil, pior ainda é admitir que temos esse trunfo nas mãos. Além disso, o homem consome além da conta, compra além das necessidades, deseja ter o mundo para ele quando não consegue nem mesmo gerir problemas internos, de sua casa e de seu trabalho.
Um exemplo de consumo sem consciência é a água. Daqui de cima, podemos ver que o problema está além das percepções superficiais de falta de água, de escassez de chuva ou poluição dos rios. Vivemos uma incongruência: gastamos mais do que temos disponível, poluímos mais do que consumimos e desperdiçamos uma quantidade incalculável da água que tratamos.
Há, no entanto, um importante fato a ser levado em consideração: a água disponível não é consumida apenas por nós, seres humanos. Outros seres vivos também a utilizam: todos esses que vemos aqui da espaçonave e muitos outros microorganismos não visíveis a olho nu, mas extremamente importantes para nossa sobrevivência e para a teia da vida. Sendo assim, eles também sofrerão os impactos da nossa poluição, do nosso excesso de consumo e do nosso desperdício.
Diretamente relacionado à qualidade da água, está o estado de conservação dos ambientes naturais. Temos a triste visão de que estamos acabando com a fauna e com a flora. Mesmo assim, alguns, aqui de cima, poderão questionar: Chá tantos rios e mares na Terra, porque toda a preocupação com a falta de água?D O problema pode ser atribuído ao mau uso dos recursos hídricos e à falta de modelos modernos de gerenciamento econômico para sua regulação. Olha só, não sabemos gerir! Há, também, quem acredite que a destruição da biodiversidade em escala global é a origem da crise da água. Está vendo, nossa ação sobre o ambiente é maior do que pensamos!
No entanto, analisando a situação com calma, as causas citadas podem ser consideradas complementares. O consumo de água para atividades produtivas e para consumo da população cresceu muito mais do que a própria população. Isso quer dizer que o consumo tomou proporções gigantescas e nós, seres que têm a capacidade de organizar e planejar, perdemos a noção de como gerir tudo isso.
A maioria dos consumidores não pensa que seu gesto individual tem significado no processo de transformação da sociedade e muitas vezes não se mobiliza para provocar mudanças. Aqui, falamos do consumo de água, mas são tantas outras questões que deveríamos refletir.
Agora, avalie: devemos consumir pensando no verde, com consciência ou pensando na sustentabilidade? Será que esse não é um bom tripé para nos fixarmos?
Esses termos vêm à tona quando a discussão é consumo. O consumo verde surgiu com o aumento da preocupação com o impacto ambiental dos estilos de vida e consumo das sociedades. Além da preocupação com o preço e com a qualidade do produto, o consumidor verde pensa na variável ambiental. Esse consumidor pode criar nichos de mercado e influenciar conscientemente amigos a agir da mesma forma. Em contrapartida, o consumidor consciente pensa na questão ambiental e analisa, também, se na fabricação de determinado produto foi utilizada mão-de-obra escrava ou infantil, se houve respeito às populações tradicionais e aos envolvidos na produção, na fabricação, etc. E, ampliando o leque de preocupação surge o conceito de consumo sustentável: utilizar equilibradamente os recursos para garantir para as gerações futuras.
O importante agora, ao término dessa viagem, é tomar consciência do que você consome e buscar mudanças no seu dia-a-dia. Você pode ir além e transmitir esses questionamentos e percepções para seus amigos. O que acha?